HERMANOS: Rivalidade Piauí x Maranhão volta a campo na Copa do Nordeste 2017

Durante muitos anos o futebol dos Estados do Piauí e do Maranhão foi marcado por uma enorme rivalidade. As disputas envolvendo Piauí, River e Flamengo, pelo lado piauiense, e por Maranhão, Moto e Sampaio Corrêa lotavam os estádios Lindolfo Monteiro em Teresina e Nhosinho Santos em São Luís. Os jogos da Taça Brasil e do Torneio Piauí-Maranhão eram as grandes atrações.

A rivalidade era tamanha que ocorreram muitas brigas, com o envolvimento de cronistas esportivos (agredidos por torcedores), jogadores, dirigentes, árbitros. Uma das edições do Torneio Piauí-Maranhão chegou a ser suspensa por causa das cenas de violência em Teresina e São Luiz. A CBD mandou um emissário às duas capitais para conseguir estabelecer a paz e permitir o reinício da competição.
Foto: Reprodução / Esporte Interativo


















Aos poucos a rivalidade foi sendo apagada, principalmente por causa da falta de jogos. Piauí e Maranhão ingressaram no Campeonato Brasileiro e as duas torcidas passaram manter o foco nos jogos dos grandes clubes do Rio e São Paulo. Clubes e federações do Norte e do Nordeste precisam trabalhar no sentido de que as duas regiões tenham as suas próprias competições, independentes do calendário da CBF, que está voltado para os interesses exclusivamente da chamada elite do futebol brasileiro.

A rivalidade entre piauienses e maranhenses já foi maior que Brasil x Argentina. Conta o livro "De Zé do Povo a Piauizão Vibrante" que durante o Torneio Nordestão de 1968, o time do Moto Club recebeu ordem de prisão em pleno Estádio Lindolfo Monteiro, em Teresina. A determinação teria partido do major Renato Lopes, na época presidente da Federação de Desporto do Piauí.
Foto: Futebol Maranhense Antigo
O fato aconteceu durante o transcorrer do jogo entre Piauí x Moto Club. O time piauiense estava vencendo de 3x1. Dez minutos depois acertadamente o juiz Artur Braz marcou penalidade máxima contra o Moto, convertida em "gol" mais uma vez por Dunga. Por reclamações Santana e Vila Nova foram expulsos. O time maranhense sentou em campo, recusando-se a continuar o jogo. O major Renato Lopes, Presidente da Federação, autorizou a prisão de todos os jogadores. Meia hora depois sob apupos da torcida, os maranhenses eram passageiros dos carros da Rádio Patrulha que os conduziu ao Quartel da PM.

A atitude do Major e Presidente Renato Lopes provocou tremenda indignação na imprensa timbira, e enfureceu a torcida maranhense. O troco veria no jogo seguinte entre Ferroviário-MA x Piauí-PI, no Estádio Nhozinho Santos. Quando os piauienses chegaram à capital maranhense ficaram espantados com o clima de hostilidade, confirmado durante a realização do jogo.

Alguns cronistas esportivos do Maranhão haviam preparado um massacre aos atletas piauienses. Armada de baladeiras (coisa inédita no futebol Brasileiro) a torcida passou a lançar pedras contra os atletas do time piauiense que se viram forçados a abandonar as laterais do campo, deixando espaços inteiramente livre para as penetrações adversárias.


Foto: Futebol Maranhense Antigo
Em determinados momentos o Piauí, para fugir às pedradas, recusou-se a cobrar arremessos laterais. Enquanto no campo o Piauí sofria um autêntico vexame os locutores Valdir Araújo e Salomão Viegas eram agredidos por torcedores e impedidos de realizar normalmente o seu trabalho. O jogo terminou com a goleada do Ferroviário por 4 x 0, gols de Garrinchinha (2), Hamilton e Esquerdinha.

Confrontos da Copa do Nordeste 2017 entre Piauienses x Maranhenses




Com informações de CidadeVerde.com e Jornal Pequeno
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